sexta-feira, 19 de outubro de 2012

Entrevista com cantor lírico Ulisses Montoni sobre novo trabalho



1-Qual o repertório do concerto do dia 22 de outubro? 

Ulisses: Faremos nosso repertório operístico, que é nossa especialidade. Árias e duetos das óperas Elixir do amor, Butterfly, O Guarani,La Traviata, Porgy and Bess...algumas canções do musical West Side Story e um dueto que gravamos em nosso CD: The Prayer. Ou seja, faremos ópera, musical e Crossover. 


2- O que é Crossover? 

Ulisses: Classical Crossover é um termo surgido na Europa que designa um estilo de música que “cruza” e “transcende”, daí a palavra crossover. Resumindo: é um estilo musical que mescla o clássico e o pop. Os maiores expoentes desse segmento são os cantores Andrea Bocelli e Sarah Brightman, mas também Luciano Pavarotti foi um grande incentivador desse estilo, porém, mantendo sempre as características operísticas de suas interpretações. E é dentro desse formato que eu e Marly concebemos esse nosso novo trabalho. 


3-Como foi a escolha das músicas? Fale sobre elas.

Ulisses: Escolhemos canções que acreditamos seguir a mesma linha do nosso perfil vocal, essencialmente operístico. “Stelle”, a faixa que dá nome ao CD, é um solo da Marly, mas acabamos criando também algumas partes corais em estúdio. É uma canção bastante aguda,com notas longas,perfeita para a voz de soprano. A segunda faixa é um solo meu, ”Melodramma”. É escrita para tenor,tem uma grande dramaticidade também,mas ao mesmo tempo,é singela e delicada,pois fala de um homem que sente saudades de sua terra natal. Depois,temos “Guide me home”,um dueto que Freddie Mercury compôs e gravou com a soprano Montserrat Caballè...nessa música,há o contraste da linha vocal masculina,mais pop e menos impostada,com a escrita para a voz feminina,bem lírica,bem operística. “Luna” é a quarta faixa,outro solo meu.É uma canção moderna,com uma instrumentação totalmente pop,mas com uma tessitura alta e exigente,para a voz de tenor. E por fim,temos o dueto “The Prayer”,cantado em italiano e inglês,e que também exige bastante vocalmente. 


4-Haverá a participação de outros artistas no concerto?

Ulisses: Sim,nosso grande amigo e pianista Marcos Aragoni nos acompanhará em todas as músicas do concerto.Convidamos também outro amigo,o barítono Fernando Ribeiro. Eu e Marly participamos do concerto que ele produziu em julho,antes de ir estudar na Itália,e agora,vamos repetir os dois duetos que fizemos com ele naquela ocasião: “Porgy, you is my woman now”,com Marly e “Voglio dire”,comigo. 


5-Qual o objetivo principal desse novo trabalho? 

Ulisses: Primeiramente,divulgar nosso trabalho, já que se trata de um CD de divulgação.Além disso,percebemos que esse estilo tem tido uma grande e positiva aceitação,principalmente por parte das pessoas que não conhecem música erudita,que não estão acostumadas a ouvir ópera. É uma porta para atingir um público muito mais amplo e permitir a introdução da música erudita, aos poucos, para muito mais pessoas. 



6-A ideia é popularizar a ópera?

Ulisses: Sim e não..não soa bem essa coisa de “popularizar música erudita” como muitos dizem.Acho que vai muito além disso. Música é arte, arte é cultura,e cultura deve ser para todos! Concordo que em alguns casos,as tentativas de tornar a ópera mais popular acabam ficando um pouco forçadas. Tudo depende de como é feito e qual o direcionamento dado.Hoje,música é comércio,é capital,inclusive música erudita.Precisamos nos adaptar ao mercado,que exige isso de todos que desejam se estabelecer nesse meio.É assim,é a realidade.Artista precisa de público para viver,não é? Agora,quando se fala sobre popularizar a ópera,precisamos lembrar que ,até o final do século XIX,ópera era um tipo de entretenimento bastante popular.Houve até um movimento chamado Verismo,que buscou trazer os enredos mais próximos do dia a dia das pessoas comuns.Amor,paixão,vingança e patriotismo são sentimentos que transcendem classes sociais e culturais. E a ópera é feita a partir disso tudo,portanto,é em essência,uma arte popular sim,no sentido de ser “para todos”.Ou pelo menos deveria continuar sendo.Cabe a nós, cantores líricos,fazer com que cada vez mais gente conheça e aprecie essas grandes obras,e não deixá-las apenas em poder de uma pequena elite social e artística.



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