terça-feira, 3 de julho de 2012

Novo Homem-Aranha faz o anterior parecer filme dos anos 80

Emma Stone, como Gwen Stacy, e Andrew Garfield, em cena de 'O espetacular Homem-Aranha' - Foto: Divulgação

‘O espetacular Homem-Aranha’ estreia no Brasil no dia 6 de julho. Longa é superior ao de 2002, protagonizado por Tobey Maguire.

“O espetacular Homem-Aranha”, que estreia no Brasil em 6 de julho, está para os anos 1990 assim como “Homem-Aranha” (2002) esteve para os 1980. Ao menos no que diz respeito às referências sugeridas em cada um dos dois. O capítulo que inaugurou a versão anterior da franquia era, declaradamente, “uma história sobre uma garota”.

Na nova encarnação da trama, ainda existe “uma garota” – mas o centro da atenção está nos dramas do próprio protagonista. Ou, mais precisamente, nos conflitos do estudante secundarista Peter Parker, a identidade civil do herói. Ele agora é uma mistura do Matt Damon de “Gênio indomável”, dado que é um prodígio dos cálculos matemáticos, com Tony Hawk, o maior astro do skate em todos os tempos. É sintomático. “Gênio indomável” levou prêmios no final da década de 90, a mesma em que Hawk consolidou a posição de ídolo juvenil.

Para além das mudanças visíveis e óbvias – intérpretes do protagonista e da mocinha, avanços tecnológicos etc –, o que resta da comparação são os modelos em que eles se apoiam. O Peter Parker (Tobey Maguire) de “Homem-Aranha” (2002) tinha um admirável talento para o bullying, desde que ocupando a função de agredido: parcela de seus problemas e inseguranças canalizavam-se em Mary Jane (Kirsten Dunst), vizinha e colega de escola por quem era apaixonado. O enredo lembrava, em alguma medida e de forma elogiável, os chamados “filmes de colégio” produzidos nos anos 80. Do loser que, contra todas as previsões, dava-se bem ao final. E a aparência pouco astuta de Maguire avalizava a semelhança.

Já o Peter Parker de agora, apesar de servir de alvo aos ímpetos de violência do sádico da escola, tem mais jeito de rebelde deslocado que de perdedor. Graças ao desempenho de Andrew Garfield (de “A rede social”) e às próprias escolhas de roteiro.

Quando começa, “O espetacular Homem-Aranha” mostra Parker ainda criança, sendo deixado aos cuidados de um casal de tios por pais em fuga não se sabe do quê. Minutos adiante, ele já um virou adolescente capaz de acoplar um engenhoso sistema de trava eletrônica à porta de seu quarto. Está também interessado em Gwen Stacy (Emma Stone), que estuda na mesma sala. Mas está interessado, sobretudo, em desvendar o sumiço e as atividades do pai (o dele, não o dela), um cientista.

Nessas, o rapaz acaba dando um jeito de entrar, sem ser convidado, na empresa em que o velho Parker dera expediente no passado. Chega-se, enfim, ao instante aguardado: ao passear por um dos laboratórios futuristas da corporação, o invasor é picado por uma aranha, tem um pesadelo delirante e, então, ganha faculdades de herói. A transformação tarda a ocorrer no filme e, quando acontece, abre espaço a um humor irônico, ao sarcasmo, em substituição à graça ingênua do Aranha de Maguire.

De Maguire e de Sam Raimi, um cineasta que, antes de tomar parte na saga do herói da Marvel, tinha como destaque no currículo o aclamado terror “The Evil Dead – A morte do demônio” (1981). Já “O espetacular Homem-Aranha” foi entregue a Marc Webb, 37, diretor que tinha, até aqui, um longa, “(500) Dias com ela” (2009). Significa algo o fato de, antes de começar no cinema, ter sido diretor de clipes: épocas e referências distintas das de Raimi.

Em seu favor, Webb teve um elenco em melhor forma que o de Raimi, a começar por Andrew Garfield. Emma Stone na pele de Gwen Stacy segue a trilha, e compõe com ele um casal em cuja relação o espectador realmente crê, atributo essencial aos intuitos românticos do longa. Há ainda Martin Sheen como o tio Ben, Sally Field como a tia May e Rhys Ifans como o vilão, um cientista que se transforma no Lagarto. Os dois últimos saem-se pior que os demais.

11 de setembro revisto
As opções dos responsáveis por “O espetacular Homem-Aranha” de desenvolver o enredo com menos pressa que “Homem-Aranha” resulta acertada. Ao menos no que diz respeito à diferenciação.

Mas Webb deixou de aprender uma lição fundamental com Raimi: não levar a sério, ou não tão a sério, esse tipo de material. Por vezes, algo que em princípio soa banal não é decorrência da falta de talento ou de ambição. Mas, sim, de coerência. Assim era o Homem-Aranha de Maguire quando, no começo de seus “treinamentos”, gritava “Shazam!”, na tentativa infrutífera de ativar o lançamento da teia de seus punhos.

É uma noção que falta ao novo longa, por exemplo, na sequência do clímax, a batalha derradeira. Aranha está ferido à bala e com dificuldades de chegar ao epicentro do ataque do Lagarto. É pretexto para “O espetacular Homem-Aranha” ser tomado por uma epidemia de solidariedade, quando operários de Nova York enfileiram as gruas de inúmeros guindastes de modo a providenciar uma passarela alternativa para o herói. Não comove – constrange.

O deslize torna-se ainda mais grave se levarmos em conta que, no “Homem-Aranha” de dez anos atrás, houve uma circunstância análoga. A ponto de receber o golpe fatal desferido pelo Duende Verde, o protagonista ganha a ajuda de nova-iorquinos. “Sacanear o Aranha é sacanear Nova York!”, berrava um. “Mexeu com um de nós, mexeu com todos nós!”, complementava outro anônimo, enquanto uma meia dúzia arremessava uns objetos no homem mau.

Em período imediatamente posterior ao 11 de setembro, aquilo era compreensível. Mas tinha um efeito artificial e protocolar. À exceção desse tipo de ensinamento recusado pelos responsáveis por “O espetacular Homem-Aranha”, e pela injustificável utilização do 3D, a balança pende a favor dele. Apesar do tom mais sério, não acabou sendo como “Batman – O Cavaleiro das Trevas” (2008). Para o bem e para o mal.

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