quarta-feira, 25 de janeiro de 2012

Um Novo Despertar | Crítica


Chega a ser irônica a coincidência de ter Um Novo Despertar (The Beaver, 2011) estreando por aqui no mesmo fim de semana que entra em cartaz Se Beber, Não Case! Parte II (Hangover Part II, 2011). Para quen não se lembra, Mel Gibson havia sido convidado para fazer uma ponta na comédia, no papel de um tatuador de Bangcok. Porém, os seus rampantes antissemita fizeram com que atores e equipe técnica do filme ameaçassem greve caso o ator fosse mantido no projeto. E assim todo mundo saiu perdendo. Todd Phillips, que teve de ceder; Nick Cassavetes, que herdou e cumpre bem o roteiro, mas sempre vai sofrer comparações ao que poderia ter sido feito; E, claro, Mel Gibson, que já não tem o mesmo cartaz de antes, mas sabe como poucos fazer um bom maluco.

Por tudo isso e pela amizade que vem desde a época do western Maverick, Jodie Foster chamou Mel para interpretar Walter Black, um homem que sofre de depressão, doença que está em um estágio tão profundo que nem os mais diferentes tipos de tratamento fazem efeito. E olha que ele já tentou de tudo, da hipnose ao tambor, sem sucesso. Depois de ser mandado para fora de casa pela esposa que aturou seu estado de inércia nos últimos anos, ele só vê uma saída: se matar. Mas antes de conseguir pular do prédio, ele é salvo por uma voz. Ou deveria dizer uma mão?

Quem viu o pôster, os trailers ou qualquer imagem do filme, já sabe que Walter anda o tempo todo com um fantoche de castor na sua mão esquerda. No ápice de sua depressão, ele começa a receber ordens do tal brinquedo, que ainda por cima fala com um tom de voz bem diferente e um divertido sotaque daqueles ingleses que passaram a vida no pub tomando cerveja e mexendo com as mulheres dos outros. É um trabalho de dupla personalidade magistral e prova para quem quiser ver que apesar de tudo, Mel Gibson ainda sabe atuar muito.

Quem também não faz feio é Anton Yelchin, o jovem Chekov de Star Trek. O garoto interpreta Porter, o filho mais velho de Walter e Meredith (Foster), que está prestes a se formar no colegial e faz seus bicos por fora para realizar um sonho antigo - e ainda ganha a chance de realizar outro... Mas ao contrário do caçula da família, Henry (Riley Thomas Stewart), Porter não suporta mais o pai doente e não vê a hora de sair dali.

As atuações seguras e emocionantes acompanham a bela história, que vai do triste ao hilário com a mesma precisão que um castor crava seus dentes na madeira. Mas, assim como na vida de Walter após a chegada de seu novo "amigo e mentor", nem tudo é perfeito. Como diretora de seu terceiro longa-metragem, Foster acaba sendo didática demais na hora de mostrar o que já estava óbvio. A genética toda do problema é escancarada não uma, nem duas, mas várias vezes visualmente, e mesmo assim ela acaba voltando ao assunto de novo, para tentar encerrar o caso.

Mas apesar disso o resultado final de Um Novo Despertar é positivo. Principalmente para Gibson, que se reafirma como ator, apesar de todos os paralelos óbvios que o personagem de Black tem com a instável vida do ator fora das telas. Bem que The Beaver (o filme) poderia mesmo servir como o castor da vida de Walter, apontando a Mel o caminho a ser seguido para desviar-se de vez das manchetes dos tabloides. É sempre divertido ter um bom maluco por perto.


Fonte: Omelete



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