domingo, 15 de janeiro de 2012

Um Jantar para Idiotas

por Vinicius Carlos Vieira em 09 de Abril de 2011





Para quem não ligar o nome à pessoa, aqui uma leve filmografia de Jay Roach: ainda que tenha acertado com Entrando Numa Fria, fez questão de estender a idéia demais em Entrando Numa Fria Maior Ainda além de ser o responsável (ou irresponsável) por uma trinca de Austin Powers. Com tudo isso, mesmo assim é difícil entender como ele conseguiu chegar a um nível tão baixo quanto em Um Jantar para Idiotas (que, por sua vez é a refilmagem de uma comédia francesa de 1998).

E não que o problema seja a falta de criatividade, na verdade não o é, muito pelo contrário até, já que é preciso muita imaginação para chegar a um resultado como esse, de um tremendo mau gosto, sem graça, cansativo e completamente sem rumo.

Na história, Paul Rudd é Tim, um executivo que acaba conseguindo a oportunidade de subir de cargo em sua empresa graças a um novo cliente suíço que ele consegue levar para lá, mas antes disso, tem que passar por uma espécie de prova do fogo: o tal jantar que dá nome ao filme. Nele, cada um dos funcionários da empresa (não a ralé, mas sim só os diretores) tem que levar um idiota para que todos possam rir de suas idiotices (por mais cruel que isso possa parecer, e é obvio que é um prato cheio para pintar, mais ainda, esse lado mau-caráter de seus futuros colegas, um atalho fácil e frágil demais).

Atormentado por essa obrigação (o que, em mais um atalho bobo) Tim acaba dando de frente com Barry (Steve Carrel) um cara que faz pequenos cenários com ratos embalsamados, trabalha para o Imposto de Renda e consegue ser a pessoa mais imbecil da face da terra. Não só isso, do momento do encontro deles até à hora do tal jantar, Barry simplesmente acaba com a vida pessoal, sentimental e profissional de Tim, e o pior de tudo isso, de modo que extrapola uma simples imbecilidade e esbarra em algum problema mental grave do personagem.

É mais que normal ficar assustado com o quanto o personagem de Carrel é mentalmente deficiente e sobra uma impressão um tanto quanto doentia quando o diretor Jay Roach parece se esforçar para que seu espectador dê risada disso. Não que isso esbarre em um politicamente correto ou qualquer outra baboseira, simplesmente é incômodo ver esse cara triste (trágico até), sozinho e vendo em Tim seu único amigo, alguém que devia estar sendo tratado em centro psicológico, ou sob medicamentos fortes, mas aqui serve como aposta única de risos. Ainda mais quando o roteiro não parece fazer a mínima idéia de onde quer ir.

Talvez Jantar para Idiotas perca a oportunidade de juntar logo esses personagens bizarros e apostar mais em uma comedia rasgada, onde os chamados idiotas possam ter mais espaço, mais piadas e mais momentos nas costas do sempre engraçado Zack Galifiankis, e não em uma comédia pontual, com a dupla de personagens pulando de situação em situação, em sketches desconexos, repetitivos e cheios de buracos e, no final das contas, ainda querer ter uma conclusão feliz onde todos viram amigos e todo aquele desastre pode ser divertido, ainda que seja difícil se livrar da imagem doentia daqueles ratos defuntos vestidos como pequenas bonecas (assim como da impressão que Roach parece achar que isso seja o suprassumo da comédia e não mais uma piada de mau-gosto).
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Dinner for Schmucks (EUA, 2010), escrito por David Guion e Michael Haldelman, a partir do filme Le diner de Cons de Francis Vebe , dirigido por Jay Roach, com Steve Carrel, Paul Rudd, Zach Galifianakis, Stephanie Szostak, Lucy Punch, Bruce Greenwood e Ron Livingston.


Fonte: Cinemaqui

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