sexta-feira, 2 de dezembro de 2011

Remakes viram moda na TV e no cinema


Nas andanças pela cidade baiana, um único desejo:
redesenhar Gabriela para a TV (foto: Divulgação)  
Walcyr Carrasco se despediu da novela das 7 Morde & Assopra, embarcou para Ilhéus e acomodou na mala todos os pés de cacau, prostitutas e jagunços que ele carrega em seu imaginário desde os 12 anos, quando avançava e voltava os olhos pelas páginas do livro Gabriela Cravo e Canela, de Jorge Amado. Nas andanças pela cidade baiana, um único desejo: redesenhar Gabriela para a TV e fazê-la protagonizar a mesma cena clássica de 1975, em que a morena brejeira (vivida, na época, por Sonia Braga) sobe uma escada até o telhado e, inocentemente sensual, tenta pegar uma pipa.

Mas qual a atriz ideal para tal sonho? Uma incógnita. O prêmio Emmy de Caminho das Índias de 2009 e o corpo escultural de Juliana Paes somam pontos na ficha da atriz. Mauro Mendonça Filho, depois de dirigir os remakes Irmãos Coragem (1995), Dona Flor e seus Dois Maridos (1998) e O Astro (2011), também pensa num nome, enquanto relembra seu contato com Jorge Amado na infância. "Gabriela foi a novela que eu mais vi na vida. Vi todas as vezes", conta ele. Mais especificamente, quatro vezes, entre 1975 e 1989. Sua mãe, a atriz Rosamaria Murtinho, não o deixa mentir. "Desde pequeno, ele foi interessado em Jorge Amado, Nelson Rodrigues..."

Enquanto isso, em São Paulo, Silvio de Abreu acaba de desengavetar um roteiro de cinema, guardado há dez anos. O título? Guerra dos Sexos, uma comédia rasgada de sua autoria, em que homens e mulheres vivem em pé de guerra. Uma trama aprovada pelo público, como novela em 83, que ele sonhava levar às telonas. O cinema não quis, o dinheiro estava curto, e lá foi Silvio contar essa história novamente na TV. "Assisti a toda novela para extrair o roteiro e constatei que era ainda atual e divertida, que poderia ser reaproveitada", constata o autor. Tony Ramos, que fará o papel que foi de Paulo Autran, reforça o pensamento do novelista. "É uma ótima oportunidade para quem não viu", diz. "Os remakes são ótimos. Se eu fosse criar um, faria lindamente o de Baila Comigo (1981), em que vivi os gêmeos."

Manoel Martins, diretor geral de entretenimento da Globo, parece gostar da ideia. Afinal, a palavra mágica do momento é essa: remake. Até no Congresso Mundial da Indústria da Telenovela e Ficção, realizado no início deste mês, em Miami, esse tema foi discutido. Segundo o estudioso Mauro Alencar, da Academia de Artes e Ciências da Televisão de Nova York, que participou do debate, o remake tem sido bem-visto no mundo inteiro. "Mais cedo ou mais tarde, sempre recorremos aos clássicos que fundamentaram a indústria do entretenimento desde os tempos de Sherazade e suas mil e uma noites", diz Alencar. "Todo mundo quer fazer remakes. Eles mexem com as memórias afetivas", completa o especialista de TV Claudino Mayer.

O boom de remakes — Em 2012, além de Gabriela e Guerra dos Sexos na TV, a discoteca Frenetic Dancin’ Days e as meias lurex de Júlia Matos (Sonia Braga), de Dancin Days (1978), devem voltar a ser o 'must have' da estação nas ruas do Rio, com o filme Novela das Oito, de Odilon Rocha. A produção terá como pano de fundo a novela de Gilberto Braga. E também ditará moda na vielas de Portugal. Por lá, a TV SIC irá estrear, também em março, um remake do folhetim brasileiro.

No pacote 'vale a pena ver de novo', ainda estão cotadas adaptações de Renascer (1993), de Benedito Ruy Barbosa, e de Que Rei Sou Eu?, de Cassiano Gabus Mendes. "A única dificuldade hoje seria gravar no sertão da Bahia", diz Benedito, autor da trama original. A Globo, no entanto, não é a única emissora que quer laçar o público por suas memórias afetivas. Na Record, por exemplo, já está prevista também para 2012 a 2ª temporada da versão brasileira da novela mexicana "Rebelde", que fez sucesso em seu país entre 2004 e 2006. Já no SBT, estão engatilhados os remakes da mexicana La Mentira (1998) e do clássico infantil Carrossel (1991), ambos para o ano que vem. Diante desse boom de refilmagens e adaptações, uma pergunta vem à tona: seria este um sinal de crise de criatividade? "Dá muito mais trabalho fazer um remake do que criar a sua própria trama", responde a autora de Rebelde, Margareth Boury. Nilson Xavier, autor do Almanaque da Telenovela Brasileira, concorda com a novelista. "Não vejo nenhuma crise. Pelo contrário, a Globo nunca investiu tanto em novos novelistas", diz ele.

Para o sociólogo da USP Laurindo Leal, as remontagens alimentam o saudosismo, mas também servem como garantia de sucesso. "Entre apostar no novo, mas de resultado incerto, as TVs optam pelo remake, a partir de produtos já consagrados pelo público. O resultado é um rebaixamento ao estímulo da criatividade de autores, diretores e mesmo atores", analisa Leal. É o que também acredita o novelista das 9 Aguinaldo Silva. "Sempre opto pela novidade", diz ele.

A autora Gloria Perez discorda. "As boas histórias merecem ser recontadas. O cinema faz isso, o teatro também. Por que não fazer com as novelas?" Tiago Santiago, autor do SBT, é dessa opinião. "Novelas são produtos muito caros e é compreensível que, às vezes, seja preferível apostar em uma história de sucesso." No SBT, aliás, especula-se a possibilidade de Santiago adaptar a trilogia vampiresca Crepúsculo. Afinal, o autor de Mutantes (na Record) tem experiência com o sobrenatural. Ele não confirma.

"Não importa onde. Se for uma história consagrada, vale um remake, as pessoas vão assistir de novo", reforça o especialista Claudino Mayer. Uma prova disso é o próprio Canal Viva, que caiu nas graças do público, em apenas um ano. Para o canal, o motivo é claro: o Viva mexe com a memória afetiva do telespectador, independentemente se ele já viu o programa no passado ou se é sua primeira vez.

Segundo o crítico de cinema Rubens Ewald Filho, remake não é coisa só de brasileiro. "O cinema de Hollywood faz isso também, porque hoje é muito difícil vender um título novo, sem história", analisa. Além dos oito remakes programados para a TV, o cinema americano aposta em, pelo menos, seis refilmagens. Todas, claro, de clássicos. Entre elas, Os Muppets (1979), Dirty Dancing (1987), Ghost (1990), Caçadores de Emoção (1991) e Footloose (1984). Este último, que na versão original foi estrelado por Kevin Bacon, agora é protagonizado pelo desconhecido Kenny Wormald. A refilmagem, que custou R$ 41 milhões, já está em cartaz nos EUA e estreia em novembro no Brasil. Nessa esteira, até o policial do futuro RoboCop (1987) irá ganhar uma nova capa de aço. O diretor brasileiro José Padilha, responsável por Tropa de Elite, foi escalado para dirigir o remake. "No primeiro RoboCop, quando Alex Murphy é baleado, você vê algumas coisas de hospital e logo corta para ele como RoboCop Meu filme está entre esses dois momentos. Como você cria um RoboCop?", disse Padilha ao site Coming Soon. Wagner Moura está fora do projeto. Padilha, que iniciará as filmagens em 2012, quer um ator americano como protagonista. Cabe agora ao espectador decidir: vale ou não ver de novo?


Fonte: Bem Paraná

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